O estereótipo do publicitário sugere que este seja um sujeito dotado de absurda criatividade e genialidade. Mas a liberdade de criação a ele concedida dá margens a pontos discutíveis e polêmicos, sobre até que ponto vai essa faculdade de criar, ainda considerada irrestrita quanto à suas abordagens.
Já é sabido da intensa influência exercida hoje pelos meios de comunicação de massa. Quase a totalidade da população brasileira possui um ou mais aparelhos de TV em casa; assim, todo comercial é visto por milhões de pessoas, o que as tornam passíveis de ser influenciadas na maneira de pensar e agir, já que a propaganda não apenas convence o consumidor a comprar um determinado produto, mas também lhes incute idéias e conceitos.
Diante disso tudo, o principal ponto a ser discutido é se deve existir um limite na criação de peças publicitárias, tanto no que diz respeito aos temas, quanto à maneira como são abordados.
O publicitário dispõe de diversas mídias para emitir uma mensagem para o público, e isso só faz aumentar a chance de uma mesma mensagem, veiculada de diversas formas, ser implantada na mente do receptor.
Que mensagens são estas que chegam ao público? As mensagens que contêm temáticas polêmicas podem ser transmitidas sem chocar ou escandalizar? Essas são perguntas que merecem atenção, pois dizem respeito ao efeito que uma mensagem mal articulada pode causar ao receptor.
Um exemplo claro de que deve sim existir uma censura na publicidade é quando as propagandas abordam a questão do homossexualismo, tema que ainda apresenta um certo dualismo de opiniões. Um comercial que mostre explicitamente uma relação homossexual poderá chocar o receptor, causando-lhe repulsa; da mesma forma, outra propaganda que demontre qualquer manifestação preconceituosa também não terá um efeito favorável, podendo até prejudicar as vendas do produto e a imagem da marca. Propaganda que possuam cenas ou imagens fortes de sexo ou violência, apesar de possuírem um determinado público-alvo e uma aparente veracidade, são muito heterogêneas quanto a seus receptores; tanto adultos como crianças apreendem mensagens que podem ser inconvenientes e até mesmo prejudiciais.
Portanto, a cautela na criação de peças publicitárias é extremamente necessária e indispensável se o publicitário deseja que sua mensagem obtenha o retorno esperado. Recursos como a sugestão, não deixam de atingir sua finalidade só porque não são diretas. um exemplo desse tipo de propaganda é campanha da FIAT cujo slogan dizia: "Você precisa rever os seus conceitos", em que apenas eram sugeridas algumas situações que, por serem consideradas incomuns, poderiam ser alvo de preconceito.
Lidar com a massa exige a união de liberdade e limite, criatividade e responsabilidade; a ética deve ser um fator limitante no processo criativo.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
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