sexta-feira, 30 de maio de 2008

Casas Bahia: sinônimo de publicidade ruim?

“Em um mundo onde produtos como iPod e Gillette viraram nomes de categorias, agora temos uma empresa que nomina uma estratégia empresarial.”


“Quer pagar quanto?”. Essa frase virou sinônimo de irritação para muitos brasileiros que, diariamente, vêem os intervalos das programações dos principais canais de TV aberta interrompidos por propagandas varejistas como a das Casas Bahia. Muitas vezes com caráter maçante e repetitivo, muitos enxergam a publicidade das Casas Bahia como ruim e mal feita. Propagandas como as da Coca-Cola, Nike e Fiat, por exemplo, impressionam muito mais os olhares de alguns telespectadores que acreditam serem essas as únicas boas propagandas.

O fato de uma propaganda ser esteticamente bem feita, com efeitos visuais e fotografia de cinema, não é sinônimo de boa propaganda. Para ser boa e alcançar o principal objetivo mercadológico de qualquer campanha (vender), a propaganda não deve contar apenas com a estética, mas também com as estratégias de marketing que circundam a publicidade.

Presente em oito estados (SP; RJ; MG; GO; RS; PR; SC; MS), além do Distrito Federal, a Casas Bahia multiplicou em pouco mais de uma década suas 250 filiais para as mais de 540 atuais. Em 2007, a rede figurou entre as 250 maiores empresas de varejo no mundo.

Para alcançar isso, as Casas Bahia teve que contar com grandes investimentos em publicidade, que giram em torno de 2,3 bilhões por ano. Mas assim como todas as campanhas, um alto investimento em publicidade não é sinônimo de crescimento empresarial. Boas estratégias de marketing aliadas a uma boa administração empresarial podem ser um dos caminhos para o sucesso.

A habilidade para entender as necessidades emocionais e os hábitos de compra dos clientes de baixa renda e a capacidade de viabilizar o sonho de consumo por meio do acesso ao crédito resultou em uma boa estratégia mercadológica.

A partir do segundo semestre e ao longo dos próximos três anos, os alunos do MBA da Universidade Harvard, nos EUA, terão de estudar uma história de sucesso made in Brazil: o vertiginoso crescimento e as estratégias que levaram as Casas Bahia ao topo do varejo nacional serão objetos de estudo por lá. Isso é uma prova de como as estrategias de marketing são muito mais complexas do que se pensa.

Com um crescimento desses, é de se esperar que, por mais chatas que sejam as propagandas das Casas Bahia, elas têm efeitos extremamente positivos. Isso vai contra a idéia de muitos publicitários, principalmente os estudantes de publicidade, que acreditam que apenas propagandas bonitas e criativas geram efeitos positivos.

Muitas vezes, milhões são gastos em propagandas belíssimas, que são reconhecidas apenas pelo seu caráter criativo, deixando de lado a premissa básica de uma boa propaganda: persuadir e levar o público ao ato de compra, seja de um produto ou idéia.

Pode até ser chato ver um figurão gritando “Quer pagar quanto?”, mas pelo menos o objetivo final de venda está sendo cumprido. E, aliás...muito bem cumprido!

Está na hora de você rever seus conceitos: a criatividade é apenas a ponta do iceberg!

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